Culto ao Tambor de Mina

Culto ao Tambor de Mina
Matinjalo meus amigos, irmãos e meus mais velhos. Me chamo Pai Jean de Xapanã e fui iniciado na Nação Mina-Jeje-Nago por Toy Voduno Francelino de Shapanan em São Paulo. Fui novice, fui vodunsi, fui vodunsirê e hoje sou Agunjai, um dos postos mais importantes dentro do Jeje ainda recebido das mãos de meu Pai. Tive a honra de ter sido o último barco de Agunjai dado por meu Pai. A última rama de Tobossi que saiu da casa de Toya Jarina. Uma grande honra poder completar essa obrigação pois, temos conhecimento que a última rama de Tobossi na casa de meu Pai, foi feita há 14 anos e, na casa de meu avó, há muito mais tempo. Em Salvador, nas casas Jeje, temos conhecimento que essa obrigação não era dada há mais de 25 anos. Isto prova a capacidade e a cultura de Pai Francelino e a casa das Minas de Toya Jarina. Dentro do Culto Jeje, sou Toy Azondelo. Tive a honra de ser o primeiro e o último Xapanan feito por meu Pai, honra essa me orgulha muito pois, um dia recebi as bençãos e a graça de Toya Jarina, pedindo para que eu fosse feito. Tive como madrinha Mãe Toya Mariana, a bela turca de Alexandria. Assim, ingressei para a família de Lego Shapanan, tornando-me filho de Francelino de Shapanan (que tinha como nome africano - Toy Akosakpata Azondeji), filho de Jorge Itaci de Oliveira ( Voduno Abê-Ka Dan Manjá), meu avô, que era filho de Maria Pia dos Santos ( Iraê Akou Vonukó). E, como tetravó, Basília Sofia ( Massionokom Alapong) que veio da África para o Brasil, da Nação Fanti-Ashanti e que aqui fundou o Ylê Axé Niamê, conhecido como Terreiro do Egito, tocando Mina Jeje-Nagô. Hoje digo a vocês: Manter a árvore genealógica, é mostrar para os outros onde nascemos, viemos e para onde vamos. Mostrando nossa identidade no Santo, é provar que temos um ancestral vivo e presente na nossa vida. Hoje ficamos muito tristes quando conversamos com pessoas da religião que não sabem sua identidade, sua ancestralidade. Se perdermos nossa identidade é como se tivéssemos perdido o nosso nome. E lembrem-se: preservar a ancestralidade é manter a tradição.Sou dirigente da Casa de Toy Lego Xapanã em Manaus. E, espero que meu Vodum abençoe todos nos dando Adoji aos nossos Oris. AXÉ AXÉ AXÉ

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O poder do Tambor nos Ritos Africanos

Desde tempos imemoriais, povos nativos de todos os lugares tem entendido que a música, o canto, a dança e os rituais são poderosas práticas espirituais para a saúde e a cura. Para o povo africano, a percussão (toque dos tambores) é uma prática de cerimônia espiritual e parte integrante da vida sociocultural da comunidade.
Ritmos antigos invocam os poderes da Criação para curar, e a linguagem do tambor fala diretamente a todos sobre amor, unicidade e união em uma sociedade global. A batida do tambor serve como canal de ligação entre o Céu e a Terra, onde Divindades e a Natureza convivem em harmonia.
Na África, os "tocadores" de tambor desempenham um papel de suma importância durante as épocas de plantio e colheita, incentivando a solidariedade para alcançar um objetivo comum. Estresse e medo são transcendidos quando os tambores tocam, levantando os espíritos e renovando a fé e o otimismo. É relatado que em algumas partes da África, que a expectativa de vida é maior quando a comunidade se engaja na prática diária da dança em um grupo de percussão e em cerimônias espirituais.
Nos tempos Modernos, cientistas, pesquisadores e psicólogos dão conta própria do efeito terapêutico dos ritmos. Pesquisas recentes mostram que o ritmo das batidas de tambor fortalece o sistema imunológico, produzindo endorfinas e liberando traumas emocionais para criar estado de bem-estar.
O poder de cura dos toques de tambor cria um equilíbrio que mantém a conexão do corpo, mente e alma. Provou-se ter muitos benefícios terapêuticos  e transformadores. A investigação demonstrou que os ritmos energéticos fazem com que o cérebro consiga sincronizar os dois hemisférios cerebrais, expandindo experiencias  de estados de consciência alterados. Poderosas conexões neurais são geradas em todas as partes do cérebro, quando este recebe o estímulo das batidas dos tambores.
O toque dos tambores também alivia o estresse, a tensão, diminui o estado de confusão, induz a um profundo estado relaxamento e reduz a pressão arterial, transformando vidas.
 Quando a prática da percussão em tambores é realizada de uma maneira sagrada, profundos estados
alterados de consciência podem ser experimentados, induzindo a estados de relaxamento profundo e fazendo a ligação à natureza transcendente de cada ser.
O Tambor é um mensageiro do espírito, e, através dele, as pessoas podem despertar para sua verdadeira natureza espiritual infinita, onde não há limites entre o "eu" e o espaço enorme de "ser". É aqui que é transportado para além dos limites do condicionamento social e se entra no mundo do divino. 
Enquanto a vibração sagrada do tambor  permeia todo o corpo e a alma, paz profunda é sentida e sem esforço se irradia o amor de si e dos outros. A sabedoria ancestral, dentro da linhagem dos tambores, é poderosa ferramenta para a construção de comunidades, criando interações coerentes e despertando para o mistério divino da Vontade do Criador.
Os tambores africanos desempenham um enorme e importante papel nas várias cerimônias, como ritos de iniciação, funerais e vários momentos de celebração. Em sua cultura, os tambores são muito mais do que apenas instrumentos. Seria preciso muitos anos para estudar a fundo todos os fins cerimoniais para os quais os africanos utilizam os tambores. No entanto, podemos verificar como estes se tornaram populares em muitas formas e ritmos musicais.
Durante a diáspora, os africanos de várias partes do continente trouxeram para a América sua cultura e sua religiosidade. No Caribe, por exemplo, podemos ouvir na música grande influência de tambores como o Batá e a Conga. A salsa é facilmente reconhecível pelo som da conga, e se originou na África Central. Qualquer um que seja familiarizado com o Reggae facilmente notará o som do Batá, que se originou na Nigéria, terra Iorubá.
Há diversos significados religiosos para o tambor Batá na cultura africana. Assim como a religião católica tem um significado simbólico para o crucifixo, o tambor Batá é um dos símbolos sagrados mais encontrados em muitos encontros cerimoniais. No início, esse tambor era conhecido como o "Tambor da Realeza". Com o passar do tempo, o Batá passou a ser conhecido como aquele que, com seu toque, traça o caminho para fazer a comunicação com os espíritos.
"O tambor fala" - essa é uma afirmação intrigante para os leigos no assunto, mas o tambor é capaz de invocar energias poderosas através de seus sons, que são baseados em uma língua tonal. Dessa forma, os africanos conseguiram levar a comunicação a um outro nível, totalmente complexo.
Os tambores cerimoniais africanos possuem um som único que vem de múltiplos ritmos, resultando em uma sonoridade empolgante chamada de polirritmia. Por isso os ritmos musicais africanos ou com base na sonoridade dos tambores são tão atraentes. Naturalmente, esses tambores são conhecidos por trazerem movimento, dança. Mas existem alguns padrões para as cerimônias tradicionais, como casamentos, e a comemoração de nascimento de uma criança, que também varia de acordo com o sexo, se o bebê é menino ou menina. Não importa, onde houver um evento importante para os africanos, haverá sempre a presença dos tambores.
No Brasil, o candomblé utiliza três atabaques: Rum, Rumpi e Le. São feitos em madeira com arcos de metal que sustentam o couro. O Rum, maior de todos, possui o som grave; o Rumpi, o do meio, som médio e o Le, o menor, possui o som mais agudo. 
Esse trio de atabaques executa, ao longo do Xirê (cerimônia para os Orixás), uma série de toques que devem estar de acordo com os Orixás que estão sendo evocados. Só podem ser tocados pelo Alabê (Nação Ketu), Xicarangoma (Nação Bantu), e Runtó (Nação Jeje), que é responsável pelo Rum ( o maior), os Ogans tocam os atabaques menores, mas é o alabê quem inicia os toques, e é através do seu desempenho que o Orixá vai executar sua coreografia de caça,  guerra, sempre acompanhando o ritmo do Rum, que comanda o Rumpi e o Le.
Os atabaques e tambores são objetos sagrados e recebem obrigações anuais para renovar sua força e energia dentro da casa. São usados unicamente dentro do terreiro.
                             
No Tambor de Mina, são utilizados  e tocados na forma deitados, podendo ser tocado apenas um tambor.









O Ritual da Jurema Sagrada utiliza seu tambor único em pé ao chão.







No Angola, seu toque é muito cadenciado, parecendo um pouco com o ritmo do samba. É um dos atabaques mais utilizados junto ao Ijexá e ao Barravento.



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Árvores Sagradas do Candomblé


IGBÒ: Floresta ou bosque. Para os Iorubás, árvores, plantas, animais, rios e montanhas representam forças sagradas. Paisagens contendo bosques e rios são consideradas manifestação dos deuses e consagradas para sua adoração.
As referencias aos bosques sagrados são antigas. A palavra que os celtas usavam para designar santuário possui raízes próximas com a palavra nemus, que em latim significa "bosque". Existe uma floresta sagrada dedicada à deusa romana da caça, Diana, que se chama Nemi ( nome que se refere a Nemus). Na antiga língua germânica (teutônico) a palavra templo também era estreitamente ligada ao significado de floresta. Um dos mais conhecidos bosques sagrados é o de Oshogbo, localizado na Nigéria e onde se encontram o magnífico Santuário de Oxum.
No ancestral culto africano aos Orixás, era dentro da mata a morada dos Deuses. Possuíam, ali, seus
santuários sagrados, os seus "terreiros" naturais. A palavra Ilê, como sinônimo de casa, terreiro, é uma prática que foi adaptada ao ambiente aqui  encontrado pelos africanos, e é um espaço estruturado de acordo com o que pedem os Orixás, cujo objetivo é estreitar os laços da Irmandade no culto por meio de rotinas regulares de preceitos litúrgicos.
Ao se adentrar em uma casa de culto de candomblé, é natural encontrar um salão principal, onde são realizadas as cerimônias públicas, os quartos sagrados dos Orixás, o Peji - altar sagrado -, a cozinha de santo, o quarto de jogo e um quarto especial chamado de  roncó, onde acontece o processo de iniciação e feitura.
Com o avanço das cidades e o crescimento populacional, as áreas verdes foram diminuindo e, com isso, os espaços naturais dos terreiros foram ficando cada vez mais limitados e reduzidos. Porém, a força dos Orixás presente no coração dos seus filhos de santo, não impede de adaptar para sua casa, seu Ilê, o assentamento de seus santos, mesmo que alguns estejam presentes em louças e alguidar, não deixa de ser um espaço destinado ao sagrado. 
Abaixo, uma pequena lista das árvores mais sagradas presente nos cultos afro descendente.

                                        
  Baobá
(mutê, Akapassa'tin) = Muito encontrado na África, o Baobá é conhecido como a "árvore da longevidade". De espesso tronco, o Baobá é muito utilizado na alimentação e na medicina natural. Os Clãs Otamaris, que o denominam de mutê, Muto ou mutomu, consideram o aparecimento deum Baobá em seus sítios um sinal de alerta que sugere uma consulta ao Oráculo de Ifá. Estes Clãs também realizam cerimônias de iniciação dos jovens sob um Baobá.Dentre os Mahis, o Akapassa'tin é consagrado ao Vodum Sakpata. São encontradas na África outros tipos de árvores que também envolve ritos deiniciação, como a Gardênia ( gardenia erubercens) e o Falso Ébano ( diospyros mespiliforms).



 
Iroko
Loko'tin = Para o povo Iorubá, Iroko é uma de suas quatro árvores sagradas normalmente cultuadas em todas as regiões que ainda praticam o culto às religiões dos Orixás. Para os Iorubás, a árvore Iroko, é a morada dos espíritos infantis conhecidos ritualmente como Abiku, e tais espíritos são liderados por Oluwere. O culto a Iroko ( a divindade que habita a árvore) é um dos mais populares na terra Iorubá. Iroko está ligado a longevidade, à durabilidade das coisas e ao passar do tempo, pois é a árvore que pode viver por mais de 200 anos.





Afzelia Africana = Além de possuir propriedades medicinais em associação com outros vegetais, lhe é conferido o poder mágico repulsivo de maus espíritos, assim como confere tais poderes à Ceiba Petandra (  Sumaúma) em Mahi. Os ritos Iorubás em Cuba a denominam como Igbi Olorun ( árvore de Deus). Também é encontrada na Amazônia, sendo a maior árvore e chegando a atingir 65 metros de altura. No rito de Vodun cubano, é atribuída ao  Vodun Aremú ( Obatalá para os Nagôs). A Regla de Arará também está associa esta árvore com as divindades Heviosso, Nanã, Loko, Awuru, Magala, Yemu e ao próprio Vodun Loko.

Dehuama = Esta árvore é muito comum na África do Oeste e possui lindas flores. É um atin de grande porte que chama atenção pela imponência e pela beleza. Está associada com a remoção temporária da virilidade masculina, reduzindo e controlando o desejo no homem, inclusive nos períodos de reclusão religiosa.

       


Mangueira
Dangbe, Dangbe-Ahoho = A conhecida árvore Mangueira é consagrada ao Vodun Dangbe. Da mesma forma, reverencia-se este ancestral Mahi no Brasil. Na cidade baiana de Cachoeira é realizada no mês de janeiro de cada ano, uma festividade em honra a este Vodun, que é conhecida como "Boitá de Gbesen". Também conhecida no Brasil por Folha de Serra, Falsa Espinheira Santa, Cincho, etc.

     
Cajazeiro
Akikon'tin, Iyéyé ou Okika = Os Nagôs e Iorubás chamam esta árvore de Igi Eyè (Árvore do Pássaro) por causa do Ifá, cujo símbolo é o pássaro, ou chamam de Yéyé (  mamãe), devido a utilização das suas folhas para parturientes. Em Benin, as cerimônias e festividades anuais de Ifá, são realizadas em torno desta árvores. Os preceitos do Ifá são voltados a atrair coisas boas, livrando-se das más e dos maus espíritos.





Cabaceiro = Sua subspécie africana, possuidora de uma parte  longa em sua cabaça, é muito utilizada como um dos atins de Legba (Vodun que corresponde a Elegbara dos Nagôs). Também utiliza-se da cabaça o seu fruto, para confecção de utensílios rituais, domésticos e instrumentos musicais. Possui propriedades medicinais.

  

Flamboyant
Acácia-Rubra = O Flamboyant (Flor do Paraíso, Pau-Rosa, Acácia-Rubra) é muito encontrado por todo o Brasil. Suas Flores são belíssimas e costumam ornamentar ruas e praças. É consagrado a  Oyá e também a Xango (Vodun Heviosso). É indissociável a figura de Xangô, pois são ambos divindades do céu, do trovão e da justiça.

   

Coqueiro
Agon'tin; Agbon = Agbon entre Nagôs e Iorubás, são tipos de palmeiras que dão o conhecido coco d'água, muito apreciado na alimentação. Da mesma forma que as palmeiras em geral, sua palha tem grande utilidade nos rituais de terreiro. Os Nagôs e Iorubás reconhecem-na como árvore sagrada do Culto de Ifá, onde habita o espírito de Orunmilá.

     
Karité
Limu'tin, Wugo ou Kotoble = Desta árvore se prepara a "manteiga de karité", que serve como alimento e no preparo da alimentação, tanto no Benin, quanto na Nigéria, onde é conhecida por Akumolapa. O Karité serve de tempero ritual claro e brando para certos Voduns; é nutritivo e medicamentoso, entrando no preparo de unguentos de uso tópico misturado com outras substâncias . Também é utilizado para o alívio de queimaduras leves na pele.

   
Acácia Branca
Ewe Igbale, Ewe Oyibo = É popularmente conhecida entre os Fons pelo nome Kpatimawiniwini ou Yovokpa'tin. Entre os Nagôs e Iorubás pelo nome de Ewe Igbale ou Ewe Yobo.  Esta árvore belíssima é consagrada a Egun e é morada dos ancestrais. Também é venerada ali a senhora dos Eguns, Oyá Igbalè, onde recebe suas oferendas.

   

Nim
Kininu'tin = Oriunda da Índia, esta árvore é conhecida pelos Fons sob o nome de Kininu'tin. O pó e o oléo de Nim são amplamente utilizados, assim como suas infusões; é um forte repelente de insetos e controla muitas pragas em lavouras. Sua utilização, além de medicinal e repelente, é observada também nas demarcações de propriedades.

domingo, 19 de novembro de 2017

As Folhas nos Rituais do Candomblé



No culto do candomblé, todos os rituais remetem à natureza. Todos os Orixás mantém uma profunda ligação com os elementos naturais, e, é por meio destes que se expressam. 
Ao se adentrar no dia a dia de um terreiro, é possível ver essa intima relação e todo o cuidado que se tem desde a colheita das folhas, a escolha do adepto responsável por este trabalho, até a maneira como serão armazenadas e utilizadas.
Há um cuidado todo especial que a pessoa responsável pelo recolhimento das folhas deverá ter. E esse trabalho deverá ser feito sempre pela manhã, quando as folhas ainda estão respingando o orvalho do amanhecer.A busca e a manipulação das folhas, devem ser realizadas como máximo de cuidado e atenção, para que nada ocorra de errado.
Para a comunidade do candomblé, a reverência à natureza e às divindades que nela habitam, são essenciais para que a relação do homem com esses elementos ocorra de modo natural e harmonioso.
Ao chegarem ao Brasil, os primeiros africanos buscaram reconstruir seus rituais procurando os espécimes vegetais que pudessem recriar sua identidade. E foi no Nordeste Brasileiro, mas especificamente na Bahia, que houve uma melhor assimilação dos vegetais nativos em substituição aos encontrados na África, elementos fundamentais para o culto religioso.
Nas folhas há um encantamento místico, pois, elas estão "impregnadas" de axé, que é mobilizado desde o momento da colheita, quando são entoados cânticos específicos, até sua utilização no ritual litúrgico. No universo religioso afro brasileiro, é a palavra que induz a ação, despertando o poder mágico das folhas.algumas destas folhas são estimadas pelos adeptos como capazes de estimular capacidades de determinados órgãos de nosso corpo e de remover barreiras que possam limitar a percepção, permitindo ampliar os poderes de visão, audição e inteligência. Estas são geralmente utilizadas em ritos de iniciação.
As folhas utilizadas no candomblé de forma não direta, são usadas como forma de terapia e podem produzir um poder "aversivo", afastando o mal, infortúnios, doenças e aflições, impedindo que as perturbações atinjam a pessoa que estiver sendo tratada. Já outras, se conservadas próximas, podem atrair o bem estar, saúde e a sorte, propiciando o Orixá, ou seja, são as folhas propiciadoras, que possuem eficácia universal e ação benevolente para todos. Algumas, ao contrário, dizem apenas funcionar somente em algumas pessoas, dependendo do Orixá. E ainda há aquelas consideradas "tabu", devendo-se evitar o contato, e apenas quem possui o conhecimento de seus segredos pode manipulá-las.

Algumas folhas e suas aplicações:

Aroeira = Nos terreiros  de candomblé este vegetal pertence a Exú e tem aplicação nas obrigações de cabeça, nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de Otás. É usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras e resolve casos de inflamações do aparelho genital. Também é de grande eficácia nas lavagens genitais.





Arruda = Planta aromática, usada nos rituais porque Exú a indicam contra maus fluídos e olho grande. Sua folhas miúdas são aplicadas nos ebori, banhos de limpeza ou descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado a arruda morre. Ela é também usada como amuleto para proteger do mau olhado.







Arrebenta cavalo = No uso ritualístico esta erva é empregada em banhos fortes do pescoço para baixo, em hora aberta. É também usada em magias para atrair simpatias. Não é usada na medicina caseira.






Azevinho = Muito utilizada na magia branca ou negra, ela é empregada nos pactos com entidades. Não é usada na medicina popular.







Bardana = Aplicada nos banhos fortes, para livrar o sacerdote das ondas negativas e eguns. O povo utiliza sua raiz cozida no tratamento de sarnas, tumores e doenças venéreas.







Beladona = Nas cerimônias litúrgicas só possui emprego nos sacudimentos domiciliares ou de locais em que a pessoa exerça atividades lucrativas. Trabalhos feitos com os galhos desta planta também provocam grande poder de atração. Pouco usado pelo povo devido seu alto princípio ativo.








Avelós = Seu uso litúrgico se restringe à purificação dos Otás dos Orixás antes de serem levadas ao assentamento. É usada socada.









Beldroega = É utilizada na purificação dos Otás de Exú. Na medicina popular se utiliza suas folhas socadas para acelerar cicatrização de feridas.







Cabeça de Nego = No ritual, a rama é empregada nos banhos de limpeza e o bulbo nos banhos fortes de descarrego. Na medicina popular, combate reumatismo, menstruação difícil, inflamações vaginais e uterinas.






Abaixo, um vídeo documentário com algumas senhoras das religiões de matrizes africanas que aprenderam com seus antecessores a manipular as folhas e designar seus benefícios.


Obrigado a todos. Boa leitura. Axé

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O poder do quiabo nas Religiões Afrodescendentes


O quiabo é o fruto do quiabeiro (Abelmoschus esculentus, família Malvaceae), planta arbustiva natural da Etiópia, que foi introduzida no Brasil pelos escravos africanos. O cultivo de quiabo adaptou-se muito bem às elevadas temperaturas das terras tupiniquins.

O quiabo serve para preparar várias receitas, como o tradicional frango com quiabo da culinária mineira e o baiano caruru (camarão e quiabo). Ele ainda pode acompanhar outros tipos de carne ou ser consumido na forma de saladas e de refogados. Os frutos podem até ser fritos ou assados.

A hortaliça também é comum nas cozinhas de países africanos, orientais e dos Estados Unidos. Ademais, das suas sementes podem ser extraídos um óleo para consumo.


100 gramas de quiabo cru fornecem 33 calorias: 7,03g de carboidratos (sendo 3,2 g de fibras), 2 g de proteína e 0,1 g de gorduras.

Entre seus inúmeros benefícios estão: auxílio para dietas de emagrecimento, bom para quem tem diabetes, ajuda a manter a saúde do sistema cardiovascular, ótimo aliado do sistema digestivo, fortalece o sistema imunológico, possui ação anticâncer, antioxidante, é bom para os ossos, visão, é fonte de ácido fólico e ainda é bom para a pele e os cabelos. E, das suas sementes, ainda se extrai um óleo bom para o consumo.

Com tantos atributos, nas Religiões de matrizes africanas não poderia ser diferente o seu uso em diversos pratos oferendados aos Santos e Orixás em geral. 

A fama do Quiabo, conhecido como Ilá, nas religiões afrodescendentes, é de pertencer a um prato muito especial e preferido de Xangô: o Amalá, feito com rabo do boi, quiabo cortado em rodelas, camarão, cebola, pimenta do reino e azeite de dendê para temperar, e, para finalizar, 12 quiabos inteiros para rodear o prato. Tem a função de acelerar a chegada ou desfecho de algo que se ambiciona.

 Mais engana-se quem pensa que essa é sua única oferenda nos cultos de candomblé.
O Ilá, é um alimento destinado ao culto dos Egunguns para obtenção de favorecimento em diversos assuntos e de várias naturezas. Por exemplo, servido com uma rabada de boi cozida, tem a finalidade de acelerar o término de um sofrimento, doença, processo judicial, autoridade excessiva, abuso, tirania ou má intenção de pessoas. Pode ser ofertado para vários outros Orixás, tais como:
Exú: quando ofertado a este Orixá, tem a finalidade de acelerar a prosperidade, fazendo com que haja uma melhoria financeira.
Ogum: sua finalidade para este Orixá é derrotar um inimigo em confronto manifesto.
Xangô: atacar ou apaziguar qualquer ameaça que ainda não tenha se manifestado, pedindo a justiça sobre a causa. Podendo, também, ser servido com amalá e um pedaço de carne assada com Orogbô afim de dar coragem para alguém enfrentar algo complexo ou outra pessoa numa situação complicada e difícil.. Com pedras de raio em brasa, é utilizado para pedir defesa contra os inimigos perigosos e injustos.
Obaluaê: Servido cru, pilado, afim de acelerar o andamento de riqueza e prosperidade. Também pode ser ofertado com um amalá com peixe, búzios, Orossum e Efun para trazer dinheiro em abundância.
Obatalá: Apaziguar qualquer situação agressiva.
Como podemos constatar, o Ilá possui características que tanto servem para adiantar, frear, desfazer qualquer situação que possa vir a atrapalhar o caminho do filho de santo e daqueles que procuram solução para seus problemas.
Em uma magia um pouco desconhecida, sua seiva, quando colocada sobre a folha da bananeira, é utilizada para causar a queda de um inimigo. Em outra situação, sua seiva quando misturada a água, tem a finalidade de apaziguar, acalmar e até mesmo, de frear uma força agressiva que possa vir a abater a pessoa numa possível confusão de vida ou no seu próprio Ori.
 Enfim, o quiabo, além de cuidar de nossa saúde, também está presente em inúmeras funcionalidades dentro das religiões de matrizes africanas. Nos protege, nos livra dos males, nos faz justiça e agrada vários santos do panteão africano.

Axé Axé Axé.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Na escola com os Orixás

Certo dia, recebi um convite para um encontro com alguns educadores aqui em minha casa. Logo pensei que seria mais uma conversa para tratarmos sobre os assuntos a abordar nas palestras que faço na época da Consciência Negra nas Escolas e Universidades aqui em Manaus. Mas, para minha surpresa, os quase 20 educadores da rede municipal de ensino, estavam se sentindo perdidos mediante uma imposição do Governo Federal, sobre a Lei 10.639 de 2003, em que obriga as escolas a incluírem na disciplina a história e cultura das religiões de matrizes africanas. 
Achei muito louvável da parte deles, procurarem na fonte, as casas com raiz africana, para desanuviar todas
suas dúvidas e amenizarem,de alguma forma, esta questão tão complexa que se tornou nossa cultura. Não podemos esquecer que, os negros tiveram uma participação de quase 100% na construção e formação de nosso país. Quer dizer que, apenas o samba e a culinária foram suas contribuições? Então, o que não me interessa posso simplesmente, queimar, destruir, passar a borracha que por assim fica e todos são felizes? NÃO.
Levar para a sala de aula este assunto, como pude constatar neste encontro, está se tornando uma questão massacrante para os educadores que, por um lado, tem um aluno que é  filho de um evangélico e que questionará para o educador porque essa religião adora o "Diabo", que é o que ele escuta a sua vida inteira indo à igreja e ouvindo o pastor e sua família falarem. Por outro lado, há o filho do " macumbeiro"(como é designado muitas vezes), que sequer pode expor suas guias ou usar o branco da sexta feira, por medo de represálias e bullying dos colegas. E, por último, o educador, que nem ao menos teve uma breve formação sobre o assunto que está abordando, não se encontra preparado para responder aos questionamentos e, a pior delas: é de uma religião que abomina qualquer outro segmento que não seja o mesmo que o seu.
Infelizmente, muito se fala e debate sobre preconceito, se criam cotas para isso, cotas para aquilo, mais preparo que é bom... O Brasil não se aceita. Somos quase em nossa totalidade mestiços. Todos temos um pouco do negro, do índio e nisso formamos essa belíssima nação. Esse pensamento reduzido e a falta de conhecimento nos destrói e cria esse monstro do preconceito. Pois, se, desde a formação destes educadores, fosse feita uma abordagem sobre o tema Afro Descendente talvez, hoje depois de 14 anos desta Lei, esse assunto não teria tanto questionamento e sua abordagem não seria tão massiva em sala de aula. A falta de conhecimento gera ignorância e a ignorância gera o preconceito. É mais fácil atacar o que eu não conheço, e é mais fácil calar diante da maioria para me preservar.
Mais, essa é uma situação que necessita de mudanças. Se pertenço a um País que se intitula Laico, não posso jamais me calar diante da opressão religiosa. Tenho direitos e deveres como qualquer cidadão. Posso ter o meu espaço, cuidar dos meus santos, exaltar meus cânticos, acender minhas velas, defumar minha porta, sem que eu seja apedrejado, hostilizado e desrespeitado. 
É um processo longo porém, já tivemos muitas vitórias ao longo de todos esses anos de lutas, de casas de santo queimadas, de adeptos da religião sendo humilhados. Hoje temos Leis que nos amparam e nos protegem e temos que fazer valer nossos direitos, só assim conquistaremos mais espaços e o devido respeito.
Axé a todos

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O Poder da Palavra AXÉ

AXÉ - ASÈ: Os significados da palavra mais pronunciada nas religiões Afro




A palavra Axé é de origem yorubá e é muito utilizada nas casas de candomblé e de religiões de matrizes africanas
Axé significa força, poder, mas também, é empregada para sacramentar certas frases ditas entre os povos do santo, como por exemplo:
 
Alguém diz:
- estou muito bem!
Outro responde:
-Axé
 
Esse Axé, dito acima, equivaleria como o amém da igreja católica. Como um Deus permita.
Mas o Axé pode significar também a própria casa de candomblé em toda a sua plenitude.Daí uma Yalorixá também ser chamada de Yalaxé ou  Iyálàsè, ou seja, mãe do Axé ou pessoa responsável pelo zelo do Axé ou força da casa de Orixá.
Axé também pode significar Vida. E tudo que tem vida tem origem. Chamar a vida é chamar o Axé e as origens. Os Orixás são Axé, os Orixás são Vida.
 
E o que seria Contra - axé?
 
O Contra - Axé é toda a estrutura de opressão e morte que destroem a vida das comunidades. O Contra-axé ainda pode ser todas as quizilas e ewós dentro de uma casa de Orixá e também certos tabus que cercam o omo-orixá.
Na tradição dos Orixás, axé também pode significar a força das águas, do fogo, da terra, das árvores, das pedras, enfim, de tudo que tem vida. Pois, o candomblé é um culto de celebração à vida e a toda a força que dela advém, ou seja, o próprio culto, é o próprio Axé.
 
Espero que este pequeno texto tenha esclarecido alguns pontos curiosos no que diz respeito à palavra Axé. Desejo a todos boa leitura e muito axé no caminhar de todos. Obrigado.

domingo, 1 de outubro de 2017

Lendas dos Orixás: Oxum

Quando os orixás viviam na terra, Oxum, que era dotada de uma beleza celestial, era disputada por todos. Sua beleza era tanta que quando ela chegava perto de uma flor ainda em botão, esta desabrochava para que ela a colhesse a fim de agradá-la. Exú lhe acompanhava em seus passeios matinais para que nada lhe acontecesse. Ogum lhe abria os caminhos. Oxóssi arrumava as matas para que, ao passar, seus caminhos fossem tranquilos e agradáveis. Xangô mandava buquês de lírios. Oxumaré mandava-lhes potes de ouro. Enfim, Oxum era cobiçada por todos os Orixás.
Assim, ela levava sua vida. E, sempre que era lua cheia, gostava de tomar banho no rio. E quando adentrava na água, misturava sua beleza com o clarão da lua e ela soltava seus longos cabelos e ficava a penteá-los por longas horas. O lugar ficava embriagado com o perfume que exalava de seus cabelos. Enquanto isso, entoava uma canção que dizia:



 
 "Ou liro ê Ou liro á Oxum vai se banhar!...
A lua vem clarear, Oxum vai se banhar!...
A folha que balança para ela passar!...
Oxum vai se banhar!"
 
E assim, Oxum tomava seu banho a cantar, deixando todos
extasiados com seu canto maravilhoso.
Uma noite, Exú esperava Oxum terminar seu banho, deitado em uma pedra e, ouvindo aquele canto melodioso, veio a cochilar.
Eruan era uma serpente que morava no fundo do rio e tinha muita inveja dos dotes de Oxum. Então, resolver lhe dar uma picada e a levou para o fundo do rio, deixando-a presa. Ao retornar, tomou seu lugar, vestiu suas vestes e enfeitou-se com as finas raízes encontradas no fundo do rio, fazendo assim os longos cabelos de Oxum.
Quando Exú acordou do cochilo, notou o silêncio e foi espiar Oxum. Sentiu que havia algo de estranho com ela e desconfiado falou:
 
- Oxum, amanhã você  irá à casa de Vó Nanã experimentar o vestido da festa de domingo?
Oxum respondeu:
- Claro que iremos. Você sabe que Vó Nanã acorda bem cedinho. Teremos que chegar cedo.
 
Exú ficou bastante preocupado afinal, não havia festa nenhuma, muito menos vestido para experimentar. Levou Eruan para a casa de Oxum, já era tarde e todos dormiam. Em seguida, voltou para o rio e mergulhou para o fundo procurando por Oxum. Depois de muito tempo, encontrou-a amarrada numa raízes. Exú a soltou e levou-a a casa de Oxóssi. Vendo aquela situação, Oxóssi ficou muito preocupado e procurou socorrê-la de imediato. Foi à procura de suas ervas para conseguir reanima-la. Depois de muito tempo e de muita aflição, Oxum voltou a si e Exú contou-lhe o que havia ocorrido e foi embora pensativo em qual castigo daria a Eruan. Oxum havia perdido muito sangue. Eruan a tinha envenenado com a picada e Oxóssi, às pressas, consultou Ifá que disse q ele catasse 16 sangue sugas e colocasse em Oxum. À medida que elas chupassem o sangue  seriam mortas e o veneno que estava no sangue de Oxum, seria retirado. Oxóssi fez tudo como era para ser feito porém, oxum perdera muito sangue e se encontrava muito fraca. Oxóssi levou dias dando leite de cabra, para que ela se reestabelecesse. Enquanto isso, Exú procurava um jeito de castigar Eruan. Fez amizade com ela e lhe falou que Vó Naná estava bastante doente e que teriam que ir em outro dia, logo que ela melhorasse e que ele teria que tirar cipós de fico para tecer a vestimenta. Eruan acreditou e foi para a mata retirar os cipós com ele. Lá mesmo, Exú começou a tecer no pé de coqueiro os cipós. Assim que ficaram prontos, Exú mandou Eruan  experimentar para ver se o traçado ficara bonito. Eruan vestiu o tecido com muito boa vontade e, assim que estava vestida, Exú prendeu-a deixando-a imobilizada. Ela se queixou que estava por demais apertado, mais Exú lhe disse que era assim mesmo. Juntou umas palhas  secas e tocou fogo em Eruan, a serpente invejosa. Voltou para ver Oxum que ainda estava fraca mais se recuperando. Oxóssi e Oxum haviam se
apaixonado e ficaram juntos a partir dali.
 
Diz a lenda que Oxóssi é o primeiro marido de Oxum, que é sempre muito grata a Exú pela amizade a ela dedicada.

Oxum é umas das Orixás mais populares do panteão dos deuses yorubás. É a principal responsável pela iniciação de um yaó. Pois, nesta fase inicial da religião, ele está sendo gerado, nascendo para a religião afro descendente. Como uma criança sendo gerada no útero da mãe. E quem dá a vida nesse processo todo de iniciação é Oxum. O iniciado é raspado e adoxado, ou seja, adoxum.
O Ibá, que uns chamam de Ibá Ori, outros de Ori Otá, é constituído de três formas:
A cabeça
O útero
E a ligação  que isso gera no Ayê
O Ibá Ori, é gerado através da água, por isso que se coloca a quartinha em cima do Ibá. Isso representa Oxum gerando mais um filho. E, embora o irilé branco (pombo branco) seja um pássaro consagrado à Oxalá, ele é também sagrado a Oxum. Por isso se faz essa primeira ligação entre o yaô, o Orun e o Ayê.
Quando se canta a cantiga do irilé, se saúda também Oxum, por isso, ela se torna responsável pelo nascimento de um yaô, como uma grande mãe.
Dizem que Exú era o dono dos búzios, mais, por ele ser muito traquino, Oxum assumiu esse lado também.
É nessas pequenas coisas que, se prestarmos bem atenção no yorubá, percebemos semelhanças entre os orixás, onde eles entram e onde vamos conhecendo mais a nossa religião. Onde se nasce, onde se morre. E o Adoxum, que é feito por Oxum e entregue aos demais Orixás.
A Oxum, também é atribuído o título de dona do amor. Apenas uma mãe poderá amar um filho, independente das coisas erradas ou certas que ele possa vir a fazer. Eternamente, ela sempre será a grande mãe. Quando ela encontrou Oxóssi no rio Osòbò, descrito na lenda acima, fez surgir desse amor, a beleza e a riqueza chamado LogunEdé, provando assim, que ela também é a rainha das simpatias amorosas e dos encantos dos apaixonados. Ela consegue atrair as coisas boas, gerando amor para o caminho de cada um que dela recorrer.
 
  
Abaixo um vídeo com uma música de Zeca Baleiro para nossa Mamãe Oxum e outro com uma simpatia para amor.
 
Obrigado a todos. Muito axé para o caminho de cada um.